Quando falamos de distúrbios das glândulas adrenais, 2 situações clínicas são emblemáticas: a Doença de Addison, uma situação emergencial e incompatível com a vida, em que o organismo se torna totalmente insuficiente de cortisol, e, no outro extremo, a Síndrome de Cushing, um estado de hipercortisolismo por diversas causas. Nessas situações, não temos dúvidas – TRATAMOS, SEMPRE! Mas e nas situações intermediárias, em que os níveis de cortisol não são extremos mas, mesmo assim, o indivíduo experimenta uma piora significativa da sua qualidade de vida? O que fazer? Esperar o estado mórbido se tornar doença ou intervir?

Mas o que é a Fadiga Adrenal?

É uma situação relacionada ao estresse que ocorre quando o eixo Hipotálamo-Pituitária-Adrenal (HPA) começa a funcionar abaixo do nível ótimo. As adrenais apresentam a função de modular a nossa resposta ao estresse ao liberar na circulação hormônios como o cortisol, epinefrina e DHEA. No entanto, quando as adrenais são superestimuladas por um longo período elas começam a dar sinais de desgaste. Algumas causas de fadiga adrenal incluem estresse no trabalho e nas relações interpessoais, problemas financeiros e perdas materiais, morte de um ente querido, divórcio, doenças crônicas, dietas inflamatórias, tabagismo, toxinas e até mesmo overtraining (ATENÇÃO ATLETAS!).

Com o passar o tempo e a manutenção dos estressores, as adrenais entram num estágio de falência tal que não conseguem mais responder apropriadamente quando solicitadas. Os níveis de cortisol caem progressivamente e os sintomas começam a surgir, implicando em crônico e cumulativo desequilíbrio em vários órgãos e sistemas.

Quais são os sintomas da fadiga adrenal?

• Sensação inexplicável de cansaço
• Mudança nos padrões de energia: dificuldade de acordar cedo, fadiga matinal (mesmo após longos períodos de sono), só se sente acordado depois das 10h da manhã, se sente melhor depois das 18h, pico de produção intelectual na madrugada, dorme por volta das 23h-01h
• Ganho de peso
• Baixo libido
• Falta de entusiasmo, depressão, irritabilidade, distúrbios do sono, exacerbação da TPM
• Fraqueza muscular, desenvolvimento de alergias, diarreia após situações de estresse
• Dependência de cafeína e estimulantes
• Compulsão por alimentos salgados e gordurosos

A fadiga adrenal é uma situação comum?

Sim! Tão comum que foi considerada a epidemia da vida moderna. No entanto, devido a riqueza e inespecificidade de sintomas clínicos, muitas vezes ela é negligenciada por profissionais desatentos, que muitas vezes optam por tratar sintomas em vez de investigar a raiz do problema. Soma-se a isso o fato do médico ser desencorajado a fazer seu diagnóstico e tratamento – já que essa comorbidade ainda não foi considerada doença pelas sociedades médicas – e de que os exames laboratoriais são inconclusivos em grande parte dos casos. Logo, ainda que comum, trata-se de uma morbidade subdiagnosticada!

Como se desenvolve a fadiga adrenal?

Identificamos 3 fases nesse processo:
A primeira é a Reação de Alarme onde o corpo, diante de um agente estressor físico, mental ou emocional ativa a resposta de luta ou fuga, produzindo maiores quantidades de hormônios como o cortisol, epinefrina e DHEA. Nessa fase ficamos em estado de alerta e experimentamos distúrbios do sono, aumento da FC e da PA e das sensações de ansiedade e medo.

A segunda, chamada de Fase de Resistência, ocorre quando os agentes estressores não são resolvidos e há manutenção da secreção elevada de cortisol; no entanto, a produção de DHEA e de hormônios sexuais começa a diminuir, pois a conversão de pregnenolona fica facilitada para a produção de mais hormônio do estresse. Nessa fase, começamos a nos sentir cansados devido a manutenção de um estado de alerta. Ficamos mais irritados, com a imunidade baixa, sentimos insônia, mau humor, depressão, redução no desejo sexual, na memória e na capacidade de concentração no trabalho. Para manter os níveis de energia, o indivíduo começa a ficar viciado em cafeína, tomando vários copos de café por dia.

A terceira fase é a Fase da Exaustão. Se o estresse é prolongado, as adrenais entram em falência e começam a reduzir as suas funções. Agora, tanto os hormônios sexuais quanto o cortisol e os neurotransmissores estão em níveis muito baixos. É a chamada “Síndrome do Burn Out”. Os sintomas são fadiga extrema e inexplicável, depressão, ansiedade, ganho de peso e desinteresse pelo mundo à sua volta. Esse estágio predispões ao surgimento de câncer, doenças autoimunes e envelhecimento precoce. Recuperar da fadiga adrenal nesse estágio requer tempo, paciência e uma mudança significativa no estilo de vida.

Qual é o tratamento para a fadiga adrenal?

infografico-stress-trabalho-5a1Infelizmente não é tão simples como tomar uma pílula milagrosa, mas certamente é possível. O que devemos ter em mente é: quanto maior o tempo em fadiga, maior será o tempo da terapêutica. Primeiramente devemos nos afastar do agente estressor e literalmente “descansar” do estresse. Ao inserirmos simples mudanças no nosso estilo de vida e proporcionar às adrenais o tempo que elas precisam para se recuperarem, é possível restaurar os níveis de cortisol aos valores ideais. Algumas técnicas possíveis são: ioga, meditação, terapia cognitivo comportamental, sesta, etc. Além disso, uma nutrição geneticamente correta, livre de intolerâncias, e a pratica de exercício físico regular, também são de grande valia, assim como a modulação hormonal bioidêntica e a suplementação nutracêutica de suporte adrenal.

O mais importante de se conhecer a fadiga adrenal é saber reconhecer sua constelação de sintomas e manter a alta suspeição clínica para seu diagnóstico, de modo a proporcionar maior qualidade de vida e felicidade aos nossos pacientes!