O sono inadequado afeta os hormônios reguladores do apetite. A privação do sono está diretamente relacionada à obesidade infantil e adulta. Quem dorme o suficiente tende a consumir menos calorias do que aqueles que não o fazem. Além disso, há prejuízos para a memória e a concentração. Em contrapartida, uma noite bem dormida pode maximizar as habilidades para resolver problemas e melhorar a memória.

Dormir mais tem influência direta e positiva sobre vários aspectos do desempenho atlético e físico e dormir menos do que o necessário, está associado a um maior risco de doença cardíaca e acidente vascular cerebral.

O sono desempenha ainda um papel crucial nos processos reparadores do nosso organismo e na consolidação da memória. Ele nos auxilia na construção de um sistema imunológico saudável, e diminui o risco de diabetes, bem como outras doenças. Uma boa noite de sono não só melhora a saúde como ajuda no processo de memorização e retenção de informações do aprendizado. A ciência já sabe que enquanto dormimos, e somente quando dormimos, o cérebro passa por uma faxina. Em um determinado estágio do sono nosso cérebro decide o que fica e o que vai embora numa elegante solução para sua mais básica necessidade: a limpeza.

O neurocientista Jeff Lliff diz que “entender como o cérebro lida com o lixo é crucial. Em todos os órgãos, a depuração dos resíduos é tão básica como a questão dos nutrientes a serem entregues. No cérebro, este assunto é especialmente interessante, pois em praticamente todas as doenças neurodegenerativas, incluindo a doença de Alzheimer, os resíduos tóxicos se acumulam e, eventualmente, sufocam e matam a rede neuronal do cérebro” .

DE ONDE VÊM OS DISTÚRBIOS DO SONO?

Dra Fernanda PedrosaAs causas dos distúrbios do sono podem ser de ordem física ou psicológica. O estresse e/ou a falta de exposição à luz natural durante o dia estão relacionados a altos níveis de cortisol e baixos de melatonina à noite, favorecendo sintomas de depressão e má qualidade do sono. Outras causas podem ser o tabagismo, consumo excessivo de café ou energéticos, álcool ou efeitos colaterais de certos medicamentos.

Não menos importante está o hábito de estarmos conectados 24 horas por dia através de nossos computadores, smartphones e TVs, que podem confundir e afetar o ritmo circadiano, regulador de todo o funcionamento do corpo humano. Esse efeito deturpador, dá-se em virtude da luminosidade vinda dos aparelhos durante a noite, podendo ter efeitos psicológicos, com influência na digestão ou no estado de vigília e sono, na renovação das células e no controle da temperatura do organismo. E, finalmente, as causas também podem ser: o excesso de trabalho ou em consequência das mudanças da vida diária.

Outro fator físico dos distúrbios do sono que pode ocorrer em determinados períodos na vida das mulheres acontece devido às alterações hormonais. Assim, quando os níveis de hormônios se alteram em pico ou queda – como durante o ciclo menstrual, durante e após a gravidez, e especialmente em torno da menopausa – as mulheres podem ser mais vulneráveis aos distúrbios do sono.

Muitas mudanças durante os anos que antecedem a menopausa (perimenopausa ou fase de transição) são provocadas por alterações do nível de progesterona, estrogênio e testosterona produzidos pelos ovários. A partir da perimenopausa e seguindo durante a menopausa, as mulheres relatam mais dificuldades para dormir e, com estes, transtornos de humor, ondas de calor, distúrbios respiratórios do sono, depressão e ansiedade. Os homens não sentem mudanças tão drásticas em comparação às mulheres, mas isto não significa que eles também não experimentam mudanças hormonais. Antes considerado como um mito, hoje a palavra andropausa é comumente aceita significando o período em que o hormônio sexual masculino testosterona, produzido em grande parte nos testículos e em pequena escala nas glândulas suprarrenais, sofre queda de produção.

Além de possível diminuição da libido, alterações de humor (fadiga, irritabilidade e depressão), diminuição da massa magra, volume e força muscular, o aparecimento da famosa “barriga de cerveja”, alterações na pele e perda de pelos, osteopenia e osteoporose, outro sintoma sentido é o distúrbio do sono. Aquelas 8 horas de sono ininterrupto são menos constantes desde que as visitas noturnas ao banheiro para urinar podem se tornar mais frequentes. Importante reconhecer as causas físicas dos distúrbios do sono. Assim, por exemplo, as mulheres no período menopáusico e apresentando distúrbio do sono podem recorrer à reposição hormonal, e não aos remédios para dormir. Distúrbios de sono nos homens podem ser resolvidos com remédios para a próstata ou reposição com testosterona.

FASES DO SONO

O sono é organizado em ciclos que incluem dois tipos diferentes com base na atividade cerebral:

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RESPEITANDO O TEMPO DO SONO

A necessidade de horas de sono é individual e pode variar conforme as atividades feitas no dia (com mais ou menos atividade física ou estresse). A maioria da literatura e das pessoas diz que precisamos de 7 a 8 horas de sono por noite, mas isso não se aplica, necessariamente, a todos. O número de horas dormidas necessário pode variar, sendo que, o que define a quantidade de sono adequada para cada um está mais baseado em como uma pessoa se sente durante o dia: acordar com facilidade, com disposição e não ter sonolência diurna ou apresentar necessidade de estimulantes como o café para funcionar adequadamente durante o dia, por exemplo, são alguns fatores a serem observados. Se você conseguir isto com apenas 5 horas de sono, ótimo, mas se precisar de 8 horas e dormir apenas 5, terá o que se chama de privação de sono: número inadequado de horas dormidas. O corpo humano pode ficar sem comer por semanas, mas é intolerável para o cérebro ficar sem dormir por dias, ou dormir menos horas do que precisa.

DICAS PARA UMA BOA NOITE DE SONO

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USO DE REMÉDIOS PARA DORMIR

A Fundação Nacional do Sono (sigla em inglês, NSF), um instituto educacional científico americano sem fins lucrativos localizado em Washington, DC, realizou um estudo que revelou que seis entre cada dez americanos sofrem com problemas de sono. O periódico on-line USAToday, aponta que 9 milhões de americanos adultos usam medicamentos sob prescrição médica para dormir, além de outros milhões que recorrem aos medicamentos naturais, sem necessidade de prescrições.

Dra Fernanda PedrosaOs números no Brasil não estão muito distantes. A venda de medicamentos soníferos aumentaram 42% entre 2009 e 2013. O Rivotril, cujo princípio ativo é o clonazepan (uma substância da família dos benzodiazepínicos, como Valium e Lexotan), conforme dados de 2011, teve sua venda disparada no Brasil com 14 milhões de unidades ao ano. Claro, esses medicamentos sob prescrição médica funcionam bem durante períodos curtos e precisos, mas o problema é que muitos deles, em especial quando usados por longos períodos, apresentam uma série de efeitos colaterais. Os remédios químicos mudam a arquitetura do sono e fazem com que o sono perca eficácia gerando malefícios. Sensação de ressaca, tonturas, fraqueza, instabilidade, depressão, dor de cabeça e dificuldade de orientação no dia seguinte, prejudicando a memória e o desempenho no trabalho e em casa, são os efeitos mais comuns. Isso sem falar no círculo vicioso e da dependência que causam, pois fazem as pessoas desaprenderem de como dormir naturalmente. Com o passar do tempo, caso o indivíduo deixe de tomá-los, as insônias voltam. Por outro lado, caso continuem, o organismo acaba se habituando e, a certa altura, o efeito diminui sendo necessário o aumento constante das doses ou a troca do medicamento para se ter o efeito desejado.

O EXERCÍCIO COMO REMÉDIO

O exercício físico é uma alternativa de tratamento não medicamentosa para problemas de sono, com baixo custo e de fácil acesso. Num estudo recente, cientistas analisaram os efeitos do exercício em mulheres sedentárias de 60 anos que haviam sido diagnosticadas com insônia. Aquelas que participaram de uma intervenção de exercícios durante 16 semanas dormiam mais e acordavam com menos frequência do que as que permaneceram inativas. Os pesquisadores também notaram que a insônia das participantes só melhorou depois das 16 semanas de exercício, e não imediatamente, o que requer paciência.

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Um estilo de vida saudável pode ajudar você a ter um sono repousante. Mas, temos também uma grande ajuda da natureza a partir de ervas e suplementos naturais, seguros e com pouquíssimos efeitos colaterais: melatonina, magnésio, aminoácidos e peptídeos, fitoterapia e aromaterapia.

Consulte um médico especialista, prove as opções disponíveis, observe seu organismo, seus hábitos e rotinas, selecione o que funciona para você obter uma noite de sono de boa qualidade e descarte o que talvez não funcione. O seu corpo é sábio. Escute-o.

Dormir não é perda de tempo. É uma necessidade.