Uma dieta mediterrânea sem restrição calórica e rica em gorduras saudáveis de nuts e óleo de oliva não engorda –  Essa foi a conclusão de um estudo que fez uma comparação durante mais de 5 anos com uma dieta de baixo teor de gordura e a mesma quantidade de calorias!!!

“Estes resultados têm implicações práticas, porque o medo de engordar não precisa mais ser um obstáculo à adesão a um padrão dietético como a dieta mediterrânea, que é conhecido por proporcionar muitos benefício clínicos e metabólicos, “Ramon Estruch, MD, PhD, da CIBER OBN-Universidade, Barcelona, Espanha.

“Esta conclusão também é relevante para a saúde pública, porque dá suporte à recomendação de não restringir a ingestão de gorduras saudáveis para a manutenção do peso corporal e saúde cardiometabólica global, como ocorre nas diretrizes dietéticas para americanos de 2015”, acrescenta.

O estudo é o primeiro ensaio realizado para avaliar os efeitos a longo prazo da dieta mediterrânea hiperlipídica na circunferência abdominal e no peso, mostrando evidências em diminuição da mortalidade de doenças cardiovasculares e câncer.

Nos últimos 40 anos, no entanto, o aconselhamento dietético padrão para prevenir ou tratar a obesidade tem chamado a atenção para a restrição calórica e aumento da atividade física, com uma crença persistente de que a ingestão de gordura promove o ganho de peso. Tais recomendações não necessariamente levaram em conta os diferentes tipos de gordura. No entanto, certas sociedades científicas — incluindo a OMS — continuam recomendando a restrição de gorduras nas dietas – UM ABSURDO!!!

A ideia de que toda a gordura dietética faz mal tem levado muitas pessoas a limitarem seu consumo, muitas vezes ingerindo calorias vazias oriundas de alimentos processados, ricos em açúcar, sal e carboidratos. Contudo, isso não conseguiu deter o crescimento dos casos de diabetes e de obesidade, que vem se tornando uma epidemia nos últimos anos.

O PREDIMED realizou estudos em 11 hospitais na Espanha, entre 2003 e 2010. Foram incluídas 4282 mulheres com idade entre 60 a 80 anos e 3165 homens com idades entre 55 a 80 anos, com qualquer diabetes de tipo 2 e 3 ou mais fatores de risco cardiovascular. Todos os pacientes estavam assintomáticos e mais de 90% estavam com sobrepeso ou obesidade na linha de base. Eles tinham uma idade média de 67 anos e 97% eram de etnia europeia branca.

Os pesquisadores distribuíram aleatoriamente os participantes em três grupos: o primeiro com uma dieta mediterrânea irrestrita baseada em azeite de oliva extra virgem (n = 2543); o segundo, com uma dieta mediterrânea irrestrita com nozes (n = 2454); e o terceiro com uma dieta de baixo teor de gordura (n = 2450). Nutricionistas deram conselhos dietéticos para todos os três grupos. Os participantes não foram avisados para restringir calorias ou aumentar a atividade física.

Resultados de cinco anos mostraram que o consumo de gordura total aumentou nos dois grupos dieta mediterrânea. Ambos os grupos de dieta mediterrânea na verdade tinham um ligeiro aumento no consumo de gordura — entre 40% e 41,8% no grupo de azeite de oliva e 40,4% para 42,2% no grupo castanhas (P < 0001 para todos) — enquanto seu consumo de proteínas e carboidratos diminuiu (P < 001).

Todos os três grupos perderam uma pequena quantidade de peso. O grupo do azeite perdeu mais peso (0,88 kg), seguido pelo grupo de controle de baixo teor de gordura (0,60 kg) e em seguida o grupo das castanhas (0,40 kg).

Da mesma forma, todos os três grupos tiveram um ligeiro aumento na circunferência da cintura média, mas o aumento foi menor para os grupos de dieta mediterrânea (grupo de controle de baixo teor de gordura, 1,2 cm; grupo de azeite, 0,85 cm; grupo de castanhas, 0,37 cm).

Estes resultados fornecem provas robustas de que adicionar gorduras boas como castanhas, nozes, amêndoas, gema de ovo, abacate, óleo de coco e azeite de oliva extra virgem, não causam ganho de peso, promovem melhora dos scores inflamatórios e previnem doenças!

Décadas de aconselhamento dietético tem ignorado a qualidade dos alimentos e os diferentes efeitos de ácidos graxos.

Ao enfatizar a restrição de gorduras e calorias, tais conselhos produziram “avisos e advertências paradoxais sobre comer alimentos com alto teor de gordura” e promoveram a proliferação de alimentos com baixo teor de gordura — mas com elevado teor de açúcar e carboidratos — na dieta dos EUA.

Recentes provas científicas dão ênfase a comer mais calorias de frutas, nozes, legumes, peixe, iogurte, óleos de vegetais e grãos integrais minimamente processados; e menos calorias de alimentos altamente processados e ricos em amido, açúcar, sal ou gordura trans.